O Atlético de Paranavaí se torna “experiente” em promover decepções para sua torcida. Pelo terceiro ano seguido, o Vermelhinho chega muito próximo do acesso, mas fracassa. O fracasso voltou a acontecer neste ano. O Paranavaí foi derrotado (2×1) em Cascavel e perdeu a vaga na elite, que foi para o Maringá FC, que bateu o Andraus por 4×0, também no domingo.
Em 2015, o Atlético de Paranavaí decidiu contra o Toledo uma vaga na primeira divisão, e ficou muito perto de conquistá-la ao vencer o primeiro jogo da semifinal da Segundona (2×1) fora de casa. Com esse resultado, bastaria empatar o jogo de volta.
Mas num dia atípico, o time decepcionou sua torcida – perdeu de 3×1 diante de sua torcida e viu a vaga lhe escapar das mãos, que foi para o Toledo.
Em 2016, o Paranavaí teve uma campanha boa dentro do campo, mas o trabalho de bastidores foi de “trapalhada”. O time foi punido com a perda de 9 pontos por utilizar um jogador irregular nas duas primeiras rodadas.
Ainda assim, conseguiu sua classificação à segunda fase, mas não teve como escapar do confronto com o Cianorte, que tinha uma boa equipe. Houve empate (1×1) no primeiro jogo, em Paranavaí. No jogo de volta, o Cianorte venceu de 2×1. Novamente o time atleticano decepcionou.
A história se repete neste ano de 2017, com nova frustração. O time, que só tinha perdido apenas um jogo, foi a Cascavel dependendo apenas de suas forças – era vencer o desclassificado Cascavel FC e comemorar o acesso. Mas saiu derrotado (2×1) e perdeu a vaga para o Maringá FC.
Depois da brilhante vitória na rodada anterior, superando o Maringá, inclusive em pontos, o time de Paranavaí pode ter relaxado, tanto que não esteve bem neste confronto contra o Cascavel, cujos atletas estavam mais do que motivados.
Informações vindas da cidade de Maringá davam conta do envio de um incentivo aos cascavelenses, mas essa informação não foi confirmada. E se teve incentivo, nada há de irregular. Já o Maringá, que não acreditava numa derrota do Paranavaí, comemorou o acesso.
O JOGO – No jogo de anteontem, em Cascavel, o Atlético de Paranavaí foi surpreendido com um gol muito rápido, logo aos 6 minutos, então ficou evidente o nervosismo. E sofreu o segundo gol aos 40 minutos.
No segundo tempo, o Paranavaí tentou a reação, fez um gol, mas não conseguiu virar o placar diante de um inspirado Cascavel. O gol atleticano foi marcado por Marcos Paulo, de cabeça, o mesmo jogador que desperdiçou duas boas oportunidades de empatar. (colaborou: José Carlos Avelar).

Rafael Andrade se diz envergonhado
Após o apito final, ficou flagrante o abalo que a derrota causou no elenco e na comissão técnica do Vermelhinho. O técnico Rafael Andrade se disse envergonhado, acrescentando que o futebol é imprevisível.
“Infelizmente no futebol a bola pune, saio envergonhado. Tivemos o domínio do jogo, infelizmente a bola não entrou, metemos duas, três bolas na trave, fomos displicentes nas situações dos gols, temos que refletir e analisar os erros”, afirmou ao DN o técnico, defendendo a continuidade do projeto firmado em Paranavaí.
Rafael Andrade foi xingado por alguns torcedores atleticanos presentes no Estádio em Cascavel. “Saio decepcionado. Infelizmente tenho que ficar escutando essas coisas (xingamentos). Aqui no Brasil é complicado, você perde um jogo, de repente você não entende de mais nada, você é burro. Torcedor sempre age com o coração”.
Para o treinador atleticano, faltou atitude ao seu time “no sentido de matar o jogo”. Ele falava das chances criadas e não aproveitadas.

Nervosismo e ansiedade prejudicaram, diz goleiro Dida
“Se o Cascavel jogasse metade do que jogou contra nós teria brigado para subir, é obvio que recebeu incentivo (financeiro) do Maringá”. A frase é do goleiro Dida, destacando a capacidade do elenco do Atlético de Paranavaí, porém, ressaltando que o nervosismo e a ansiedade prejudicaram o time.
“Sabíamos da nossa capacidade e das condições de vencer, mas não esquecemos que teríamos dificuldades. Acredito que o nervosismo e a ansiedade no início permitiram ao Cascavel fazer os gols. Depois não tivemos forças, só a vitória interessava. A tristeza e o abatimento são grandes”.

Jogador do Cascavel fala em menosprezo
O atacante Alef, do Cascavel, negou “ajuda externa” vinda do Maringá FC, mas sem convencer. “Fizemos nosso papel dentro de campo, independente de qualquer coisa fora, demos o nosso melhor e saímos com a vitória. Eu não ouvi falar de ajuda externa mas, se teve, vai ser melhor para nós”.
O jogador diz que a vitória foi uma resposta ao menosprezo por parte da equipe de Paranavaí. “Sabíamos que nós iríamos atrapalhar o Paranavaí. Durante a semana ficamos sabendo que eles estavam dizendo que a gente estava morto, que iriam golear. Não sei quem falou, mas provamos que quem manda aqui é o Cascavel e que futebol se ganha nas quatro linhas, é onze contra onze”.

FICHA TÉCNICA
Cascavel CR 2×1 Atlético de Paranavaí

Gols: John (CASC) aos 6 min e Alef (CASC) aos 40min do 1º tempo. Luiz Paulo (PAR) aos 14min. do 2º tempo.
3ª rodada do Grupo B, 2º turno da 2ª fase do Paranaense da 2ª Divisão. Data: 29/05/2017. Local: Estádio Olímpico Arnaldo Busato, em Cascavel. Público total: 79. Renda: R$ 1.300,00. Árbitro: Nilo Neves de Souza Junior. Assistentes: Giovani Marcos Matielo e Everson de Souza. Cartão amarelo: Gabriel, Jalnir, Ronaldo e Eder (Cascavel)
Equipes:
Cascavel – Gabriel; Fabrício, Jalnir, Adriano e Ronaldo; Lourenço, Eder (Joelton), Wellington e Rafael; Alef e John (Alan). Técnico – Marcos Vanucci.
Paranavaí: Dida; Diego Fiuza, Leonardo (Robinho), Glauber e Luan; João Antônio, Alan, Rômulo (Monte Alegre) e João Victor; Chimbinha e Alessandro. Técnico – Rafael Andrade.

Fonte: Jornal Diário do Noroeste