Dia 15 de abril começa a LNF (Liga Nacional de Futsal) e mais uma vez o Paraná vai ter cinco representantes, se igualando a São Paulo e Santa Catarina. O Rio Grande do Sul tem quatro representantes e Minas Gerais apenas um. Até se criou uma expectativa para a volta de algum clube do Rio de Janeiro, mas ficou apenas nas especulações.

A palavra do momento é crise. E isso também está afetando o futsal. A LNF ainda está muito forte, mas diminuiu a diferença de investimento do maior para o menor. Ou seja, ninguém está fazendo loucura e alguns jogadores tiveram que buscar mercado fora do Brasil.

No Paraná não é diferente, ninguém está gastando horrores em contratações. Mas, ao mesmo tempo, são todas equipes bastante competitivas. Ainda não acredito que será o ano em que teremos algum paranaense na final da LNF, como aconteceu em 2010, com a Copagril, de Marechal Cândido Rondon. Mas no início daquele ano, eu também não esperava. E isso que torna o futsal contagiante. Nem sempre o maior investimento é o que prevalece. O Concórdia também sabe muito bem disso, pois foi finalista em 2013 desbancando verdadeiros ‘imperadores’ do futsal.

Até 2010, não se falava em “zebras” na LNF. “São sempre os mesmos que chegam.” Já ouvi essa frase várias vezes. Mas em seis anos (2010 a 2015), duas grandes surpresas surgiram na final (Copagril e Concórdia), o que mostra um nivelamento cada vez maior. Não um nivelamento de investimento, mas de qualidade técnica.

Digo isso porque tem muito jogador por aí vivendo de mídia. E, na contramão, muitos atletas com qualidade de Seleção Brasileira ainda trabalhando no anonimato. Isso porque não se convoca jogador que não esteja na LNF, uma grande vitrine para o futsal internacional.

Enfim, é uma engrenagem muito bem montada. No Paraná, funciona assim: os times da Série Ouro se reforçam com atletas da Prata e Bronze; os da LNF contratam os destaques dos adversários do próprio Estado; os fortes do país levam os jogadores das nossas equipes paranaenses da LNF; esses mesmos atletas chegam na Seleção Brasileira. Dificilmente foge a essa regra. Quem diria que aquele goleiro Deivid, que jogou a Série Prata de 2008 pelo Guaraniaçu, vestiria a camisa Amarelinha? É o grande exemplo desse processo. E o pivô Diego, que foi campeão da Série Bronze em 2011 com o Colégio Londrinense? Pois é, ele vai jogar as eliminatórias para a Copa do Mundo em Assunção, no Paraguai. E o Gian, que mesmo sendo o xodó da torcida do Umuarama no bicampeonato estadual de 2007 e 2008, era apenas um “reserva de luxo”? É o atual campeão da LNF e está valorizado no mercado. Não esqueçam do Gadeia, campeão paranaense sub-20 em 2008 com o Pato Branco. A história deles vocês conhecem.

Enfim, tem uma série de atletas que cresceram realmente depois de passarem pelo futsal paranaense e que hoje estão espalhados por diversos clubes do país. Embora as equipes do Paraná estejam longe de um título da LNF, servem como boas referências para o mercado da modalidade. Em qualquer um dos cinco times, você pode fechar o olho e escolher um atleta para contratar, que vai estar bem servido. O futsal paranaense está para mim como o futebol catarinense, um equilíbrio muito grande entre as equipes, mas sem candidato a título nacional.

Adolfo Pegoraro é jornalista do Jornal de Beltrão e da Rádio Continental FM.