A Associação Beltrãozinho Futsal já conquistou mais de 40 títulos na região e virou referência na gestão de categorias de base.

Com tantas opções de diversão para crianças em tablets, smartphones, videogames e televisores, fica cada vez mais difícil estimular o lazer por meio da prática esportiva. Atividades recreativas como bicicleta, carrinhos de rolimã, skate, entre outros, tornam-se menos frequentes com o crescimento da urbanização e o aumento desenfreado da frota de veículos, o que gera mais riscos de acidentes.
Pensando nisso, um grupo de pais de Francisco Beltrão resolveu criar uma escolinha de futsal para que os filhos pudessem disputar competições, desenvolver a disciplina e, por consequência, ganhar gosto pela prática esportiva. Sete anos atrás, os treinos eram bem limitados, com dificuldade de encontrar horários para as aulas em ginásios do município. Mas a organização foi crescendo, firmou parceria com a Secretaria de Esporte, criou um CNPJ próprio, contratou um professor de Educação Física, filiou-se às competições da Federação Paranaense de Futsal (FPFS) e virou exemplo de gestão em categorias de base.
Hoje, a Associação Beltrãozinho Futsal (ABF) tem muitos títulos de competições na região Sudoeste. No ano passado, inclusive, o time sub-13 foi vice-campeão do Campeonato Paranaense, com uma geração de meninos que ainda vai dar o que falar no futsal ou no futebol, pois são modalidades que trocam muitos atletas no decorrer dos anos.
“Quando começamos, meu filho, o Léo, tinha 6 anos de idade. Hoje ele tem 13. Nossa associação de pais é muito unida, cobramos mensalidades, fazemos promoções com pizza, rifas, enfim, tudo isso pra viabilizar a participação deles em competições”, comenta o radialista Cláudio Mello, presidente da ABF há três anos. Sua esposa, a Neusa, é responsável pela parte financeira da associação. “E a gente não visa lucro. Tudo que arrecadamos, investimos nas crianças. É um trabalho voluntário dos pais”, complementa Cláudio, repórter da Rádio Anawin FM.
“Estamos todos os pais envolvidos para proporcionar aos filhos condições para praticar esporte e promover a saúde das nossas crianças. Como temos a preocupação da formação deles enquanto seres humanos, acreditamos que o esporte ajuda tanto na parte física como na socialização. Nos dias atuais, temos várias tecnologias de fácil alcance, o que nos faz acreditar que devemos cada vez mais achar meios de fazê-los praticar exercícios”, afirma o empresário Valdemar Mazon Júnior, o Poio, proprietário da Galos Luminosos, pai do Ricardo, atleta da ABF, e também integrante da diretoria da associação.
“O esporte transforma a relação de pai para filho, que se tornam verdadeiros amigos. Seja qual for o esporte, é uma ótima oportunidade para estreitar o relacionamento familiar. Com o corre-corre do dia a dia, é normal que haja um afastamento”, acrescenta Poio.

Outras categorias também
No ano passado, a ABF disputou o Paranaense com as categorias sub-13 e sub-15. Agora, a escolinha vai disputar o estadual também no sub-9, sub-11 e sub-17. “No sub-17, vamos fazer uma parceria com o Marrequinho, para agregar ainda mais força”, adianta o professor Dionatan Marcelo, que orienta os atletas desde o início do projeto.
Segundo ele, a cada dia que passa, o interesse das crianças pela atividade física vem diminuindo. “A nossa associação é muito importante para estimular o esporte e o fator principal é a atuação dos pais, que cobram das crianças de fazer alguma atividade. Muitos pais preferem que os filhos fiquem em casa, onde é mais seguro, do que sair e praticar algum esporte, algo que possa machucar as crianças. Mas não estão se preocupando com a saúde deles. Como professor, eu vejo uma escassez de crianças na atividade física. Com isso, aumenta o número de doenças relacionadas, como obesidade”, enfatiza o professor de Educação Física.

Mais de 40 títulos!
A ABF já tem mais de 40 títulos de competições nos últimos anos. “Isso não veio por acaso, pois os pais sempre cobram os filhos pra levarem a sério o esporte, não faltar treino. E eu vejo que a postura tem que ser essa, os pais cobrando um pouquinho mais dessas crianças, tirando da frente da tevê e do computador e colocando em algum esporte. No passado, a gente via muitas crianças brincando na rua, desenvolvendo a coordenação motora mesmo sem saber. Hoje em dia, a gente vê algumas crianças até com dificuldades para correr, devido à falta de contato com alguma atividade”, complementa Dionatan.

Fonte: Jornal de Beltrão