Giro esportivo

Foto: Futebolparanaense.net

Se pronunciarmos o nome “Maurílio Geraldo Evaristo” talvez poucas pessoas conheçam, mas se dissermos “Lio Evaristo” os amantes do futebol saberão de quem estamos falando. Acostumados a entrevistas de treinadores pautadas em frases prontas, “Lio” foge ao protocolo com uma personalidade forte e frases marcantes que o levam a ser mal interpretado algumas vezes.

esporte para todos 2007

Foto: Futebolparanaense.net)

O que para muitos poderia ser uma virtude, para outros representa uma imagem distorcida de quem realmente ele é. O próprio “Lio” sabe disso e hoje, com uma vasta experiência não só no esporte, mas também na vida pessoal, diz que amadureceu muito e que faria algumas coisas diferentes do que já fez, principalmente no que diz respeito a paciência em determinadas situações. Só quem conviveu com o treinador, mas principalmente com a pessoa “Lio Evaristo” sabe do que estou falando.

Inicio

Lorran - rafael octaviano II

Lio e Lorran (Foto: Arquivo Pessoal Lio Evaristo)

Nascido em 10/04/1963 na cidade de Cianorte (o que poucos sabem), filho de Geraldo Evaristo (falecido em 2010 com 96 anos), e Ana Soares Evaristo (reside em Paranavaí), casado com Wanderleia Nogueira Evaristo e pai de Lorran Nogueira Evaristo, confessa que a família é a base de tudo em sua vida.

Começamos pela história do nome que é muito curiosa, “Lio”, veio da abreviação de “Maurílio”, porém por sugestão do jornalista Airton Lima na casa de sua irmã acrescentou seu sobrenome “Evaristo” com o argumento de que nomes compostos propiciariam melhores oportunidades profissionais. Parece que deu resultado, pois ficou conhecido no mundo do futebol por “Lio Evaristo”.

Lio - Rafael octaviano II

Gerson e Lio – Colorado (Foto: Arquivo Pessoal Gerson)

Colorado - rafael octaviano III

Foto: Arquivo Pessoal Gerson

O inicio da curta carreira como jogador aconteceu no Londrina na década de 70, de onde se transferiu para o juniores do Coritiba como meio campista, permanecendo nos anos de 78 e 79 na equipe coxa branca. Depois de uma grave contusão voltou para Londrina e de lá seguiu para a cidade de Colorado no Paraná, na casa de seu irmão, onde se preparava para uma possível transferência ao Misto de Cuiabá. Na casa do irmão o destino conspirou para o inicio da carreira de “Lio” como treinador. Ainda sentindo a contusão, foi convidado a participar de um amistoso importante entre uma equipe de Colorado contra o Matsubara de Cambará (um forte time da época).

Colorado - rafael octaviano

Colorado (Foto: Arquivo Pessoal Gerson)

Por se tratar de um amistoso, teve que atuar improvisado na defesa, como zagueiro passou o jogo todo gesticulando e orientando o posicionamento dos companheiros dentro de campo quando chamou a atenção de diretores que estavam montando uma escolinha entre Colorado e Paranacity que seria denominada de Sociedade Esportiva Ferraz.

“Lio” conta que sempre teve perfil de treinador, diz que desde os tempos de jogador no Londrina e Coritiba fazia questão de observar os treinos, destacando que procurava assimilar as orientações feitas pelo treinador Dirceu Krieger e do preparador físico Carlinhos Neves em suas preleções.

Com apenas 19 anos, deu seu primeiro treino no dia 23/06/83 na Sociedade Esportiva Ferraz de Colorado, lembrando que na época não se exigia formação acadêmica como hoje, por isso exercia as funções de treinador e preparador físico sózinho. Com uma boa estrutura, tendo inclusive republica para atletas de fora, o trabalho passou a ser reconhecido. “Lio” começou com as categorias sub-15, sub-17 e sub-19, na época, denominadas infantil, juvenil e juniores.

O Sucesso

Barra de colorado - rafael octaviano

Inicio de carreira (Foto: Arquivo Pessoal Gerson)

O trabalho de “Lio” começou a dar resultados. Em pouco tempo, mandava jogadores que vinham de todo lugar do país para o Grêmio de Maringá. Também começou a conquistar competições importantes da categoria como: Jogos da Juventude do Paraná – JOJUP’S, e Jogos Abertos do Paraná – JAP’s entre os anos de 83 a 86.

Se destacando pela equipe do Colorado, não demorou a ficar conhecido no meio. Recebeu proposta dos empresários João Urbano (In memoriam), professor Claudinho e Silvio Chaves e no fim de 87 já estava trabalhando na escolinha de Nova Esperança onde permaneceu por 2 anos e revelou vários jogadores.

No fim de 88 foi trabalhar no infantil do Londrina, através de um convite do dirigente João Severo, onde ficou até 1993. Nesse meio tempo ainda retornou por um breve período a Colorado para o nascimento do filho Lorran em 89. No Londrina, teve contato com o ex-jogador Carlos Gainete, que na época era o treinador do time profissional e que, ao se transferir para o União Bandeirante, levou “Lio” para treinar os juniores. Ficou no União até 1996 e teve sua primeira experiência como treinador de um time profissional.

Em 97 retornou para o Londrina (juniores), permanecendo até 98, quando recebeu um convite de “Ticão” para treinar o PSTC, onde além das conquistas dos Jogos Abertos e Jogos da Juventude, ajudou a revelar craques como Jadson e Dagoberto dentre outros.

Atletico Paranaense

Atlético Paranaense (Foto: Futebolparanaense.net)

Corinthians Paranaense 2010 - rafael octaviano

Corinthians Paranaense 2010 (Foto: Futebolparanaense.net)

O ano de 1999 começou bem com a parceria entre o PSTC e o Atlético Paranaense. A princípio o Rubro Negro queria trazer um treinador, mas Ticão bancou a permanência de Lio no comando.  Ainda em 99 recebeu convite do

Atlético Paranaense, mas acabou recusando. Posteriormente foi convidado por Mario Celso Petraglia e com o aval dos Professores Dedé e Antonio Carlos Gomes de Londrina e referendado pelo supervisor Mario Henrique, desembarcou na capital no final do mesmo ano.

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Torcida do Arapongas (Futebolparanaense.net)

Lio Operario - 2012 - Rafael Octaviano

Operario de Ponta Grossa (Foto: Futebolparanaense.net)


“Lio” passou por equipes como: Colorado, PSTC, Londrina, União Bandeirante, Atlético Paranaense, J. Malucelli, Londrina, Operário de Ponta Grossa, Maringá, Rio Branco (Paranaguá), ACP, Roma de Apucarana dentre outros. Tem o respeito e carinho de todas essas torcidas, mas guarda em um lugar especial a cidade de Arapongas, local no qual conseguiu o acesso no mesmo período em que perdeu seu pai no ano de 2010, e que sempre que retornou com outras equipes teve seu nome gritado pela torcida.

O futuro

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Atlético Clube de Paranavaí (Foto Diário do Noroeste)

Curioso lembrar que “Lio” passou por quase todas as equipes do Paraná, mas nunca chegou treinar o Cianorte, sua cidade natal. No único contato que teve do clube da capital do vestuário (2005) não assumiu, pois o time resolveu investir no treinador Claudio Tencatti das categorias de base que hoje dirige o Londrina, o que pare ele foi muito importante.

Indo para sua terceira temporada no Atlético Clube de Paranavaí (2014, 2015, 2016) “Lio” se considera mais experiente e reconhece que ao longo da carreira poderia ter agido de forma diferente. Também diz que talvez se não tivesse trocado as categorias de base pelo profissional em 2004 no Atlético, quem sabe estaria mais realizado dentro do futebol, mas que tudo isso serviu de um grande aprendizado para ele.

“Lio” coloca sempre a família em primeiro lugar, tem uma identidade forte com o Atlético-Pr que inclusive já impediu de ter trabalhado no rival Coritiba. Também possui uma empatia muito grande com a cidade e o povo de Arapongas, assim como tem uma grande gratidão pela diretoria do ACP que tem confiado em seu trabalho.

 

De primeira

 

Nome?

Maurilio Geraldo Evaristo

Natural?

Cianorte no Paraná

Onde começou a jogar?

Londrina Esporte Clube

                                                                                 Onde iniciou como treinador?

Colorado - rafael octaviano

Sociedade Esportiva Ferraz de Colorado (Foto: Arquivo Pessoal Gerson)

Sociedade Esportiva Ferraz (Colorado-Pr)

Clubes por onde passou?

Ver currículo em anexo

Momento inesquecível na carreira?

O dia em que recebi uma ligação do Petraglia para trabalhar no Atlético – Pr.

Momento que gostaria de esquecer?

Sem duvida o dia em que foi mandado embora do Atlético-Pr

        Arrepende-se de algo na vida?

Lio Evaristo e Carrasco, em Paranaguá (foto - Franklin de Freitas)

Rio Branco de Paranaguá (Foto: Globoesporte.com)

Sim, Tomei decisões precipitadas em relação a carreira

Faria algo diferente?

Sim, teria ouvido mais as pessoas, gostaria de ter sido mais paciente e investido mais nos estudos.

Um amigo?

Muitos poderiam ser citados, mas vou escolher o João Severo, que me deu a primeira oportunidade no futebol

Um amigo no futebol?

Betão Oliveira, ex-goleiro do União Bandeirante e Operário, que hoje é treinador de goleiros mas esta desempregado, mesmo a distância torço muito por ele.

A esposa?

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Lio e Wanderleia (Foto: Arquivo pessoal Lio Evaristo)

É tudo, me acompanha me apóia e tem uma sensibilidade e uma percepção que me ajudam bastante.

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Lorran (Foto: Arquivo Pessoal Lorran)

O filho “Lorran”?

Carrega um peso dentro do futebol por ser meu filho, chegou a sair das categorias de base do Atlético-Pr quando fui mandado embora, passou por uma cirurgia séria, não tenho palavras para dizer o que ele representa para mim.

Atlético Paranaense?

Me deu tudo, oportunidade, conhecimento de trabalho e uma boa condição financeira. Tenho tanta identidade com esse clube que isso já me impediu de trabalhar no rival Coritiba.

Mario Celso Petraglia?

Petraglia - rafael octaviano

Mario Celso Petraglia (Foto: Reprodução)

Respeito, um cara justo e mal interpretado, o que tem para falar não esconde, valoriza os profissionais como nenhum outro faz.

Religião?

Não acredito muito no homem, prefiro acreditar em Deus.

Atlético Clube de Paranavaí?

Passei em 2009 e deixei uma impressão ruim. Na época gostaria de trazer minha família, mas o clube não tinha essa condição, acabei indo embora, quero pagar essa divida com o acesso.

Sonho?

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ACP – 2016 (Foto: Arquivo Diário do Noroeste)

Subir o ACP para a primeira divisão, é uma questão de honra para mim.

Futuro?

Voltar a um grande clube, sei que agora mais amadurecido, tenho condições para isso.

Existem pessoas sérias no futebol?

Muitos, eu poderia falar vários, mas vou citar o Juarez Malucelli.

Tem muita sacanagem no futebol?

Bastante, dentro e fora do campo, é diferente de tudo que conhecemos.

Jogador derruba treinador?

Derruba, não posso dizer que já vivenciei isso, na única oportunidade que pensei ter sido derrubado recebi o carinho dos ex-atletas no primeiro confronto.

                                                     Pelé ou Messi?

Pele

Pelé (Foto: Arquivo Reprodução)

Pelé, apesar de não ter visto ele jogar imagino que pelas imagens, o que o Messi faz hoje o Pelé faria melhor, mas ambos são excelentes.

Luxembrugo

Vanderley Luxemburgo (Foto: Reprodução)

Qual o melhor treinador?

Treinador é momento, convivi com muitos treinadores bons, alguns influenciaram minha carreira, poderia citar vários, mas vou ficar com o Vanderley Luxemburgo, para mim foi injustiçado na Seleção Brasileira.

Agradecimentos?

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Entrevista (Foto: Arquivo Pessoal Rafael Octaviano de Souza)

Zezinho da Barra, professor Claudinho, João Severo, “torcida do Arapongas”, Petraglia, Mario Henrique, professor Dedé, professor Antonio Carlos Gomes, Juarez Malucelli, Marcos Kani, Edeval Zinho, Nelson Santos, Mario Iramina, Wilson Farias, Luiz Linhares e tantos outros.

 

Carreira profissional

1992 a 1994 – Londrina EC (PR)
1994 a 1998 – União Bandeirantes (Bandeirante – PR)
1997 – Seleção Paranaense Sub-19
1998 a 1999 – Londrina EC (PR)
2000 – PSTC (Cambé-PR)
2001 a 2005 – Atlético Paranaense (Curitiba-PR)
2002 – Seleção Paranaense Sub-19 (Curitiba – PR)

2006 – JMalucelli Futebol S/A (Curitiba-PR)
2006 – Londrina EC (PR)
2007 – Roma (Apucarana-PR)
2007 – Engenheiro Beltrão (PR)
2007 – Metropolitano (Blumenau-SC)
2007 – JMalucelli Futebol S/A (Curitiba-PR)

2008 – Metropolitano (Blumenau-SC)
2008 – Adap Galo Maringá (Campo Mourão-PR)

2009 – Metropolitano (Blumenau-SC)

2009 – Camboriuense (Camboriú-SC)

2009 – Atlético de Ibirama (SC)
2010 – SC Corinthians Paranaense S/A (Curitiba-PR)

2010 – Arapongas (PR)

2011 – Arapongas (PR)

2011 – Metropolitano (Blumenau-SC)

2012 – Metropolitano(Blumenau-SC)
2012 – Operário Ferroviário (Ponta Grossa -PR)

2013 – Operário Ferroviário (Ponta Grossa -PR)

2013 – Arapongas (PR)

2014 – Arapongas (PR)

2015 – Arapongas (PR) e Paranavaí (PR)
                                      Principais Conquistas

1992 – Campeão Taça Londrina (Estado do Paraná)
1994 – Campeão Paranaense (Londrina-PR)
1995 – Vice-campeão Aspirantes (União Bandeirante-PR)
1995 – Campeão Paranaense (União Bandeirante-PR)
2001 – Campeão Paranaense Atlético Paranaense (Curitiba-PR)
2001 – Campeão do Torneio da CBF – Sub 19 Atlético Paranaense
2001 – Campeão Copa Tribuna Atlético Paranaense
2002 – Bi-Campeão Copa Tribuna Atlético Paranaense
2003 – Vice-Campeão Taça Belo Horizonte/MG Atlético Paranaense
2004 – Campeão Dallas Cup (super grupo) Atlético Paranaense
2004 – Vice-Campeão Brasileiro/auxiliar técnico Atlético Paranaense

2005 – Campeão Paranaense Atlético Paranaense
2007 – Campeão Torneio Lustenau Áustria Metropolitano de Blumenau/SC
2007 – Campeão Copa Paraná JMalucelli Futebol S/A (Curitiba-PR)
2010 – Fato inédito para o Corinthians Paranaense ter chegado na 3ª. Fase da Copa do Brasil, terminando a participação entre os 16 melhores clubes do país (desclassificou o Juventude/RS e o Ceará SC e atuou muito bem Contra o Vasco/RJ)

2010 – Fato inédito acesso Arapongas para a divisão de elite do futebol paranaense a partir de 2011.

 

 

Atletas revelados:

 

Jádson (atualmente no Corinthians Paulista/SP ), Dagoberto (atualmente no Vasco da Gama/RJ), Emerson (atuou muitos anos no Lille da França), Andrei Girotto (atualmente no Palmeiras/SP), entre outros atletas.

 

Entrevista realizada no dia 23/01/2016 no Estádio Waldemiro Wagner